Aqui você encontra a memória das nossas edições anteriores: nossos manifestos, a programação completa, o catálogo de filmes, a curadoria, o júri, os filmes premiados e muitas fotos!
O CineBaru – Mostra Sagarana de Cinema chega à quarta edição em um ano difícil, marcado pela pandemia da COVID-19 e ainda com a crescente desestruturação das políticas públicas brasileiras de cultura, educação e meio ambiente.
Seguimos! Sim, nesse contexto para lá de apocalíptico, decidimos continuar firmes no compromisso de semear o cinema do Território Baiangoneiro (BA-GO-MG-DF) mundo afora, on-line mesmo. Assim, lançamos à terra a semente de baru, imagem e movimento, carregando em si outras formas de pensar e que nos relembra o tempo todo que podemos imaginar outros mundos possíveis. E sonhar.
Avançamos acreditando em um mundo melhor, especialmente aquele que construímos com as nossas mãos, valorizando a igualdade, a cultura, a democracia e a justiça socioambiental. Comendo pipoca com os olhos vidrados na tela, sorrisos, espantos, deslumbre – cinema.
Espia aqui com a gente.
Nesta edição, inscreveram-se mais de 150 curtas-metragens, e após um belíssimo trabalho realizado por uma equipe de sete curadores, 23 filmes foram selecionados para a Mostra Competitiva Regional e 9 filmes para a Mostra Sertãozin, nosso espaço infanto-juvenil.
Além disso, promovemos duas ações no território: a produção do podcast FalaBaru!, em parceria com o Ponto de Cultura Seu Duchim, e o Prêmio Estímulo à Produção de Curtas-Metragens. Esses projetos resultaram em 10 podcasts e 10 filmes realizados por moradoras e moradores da região.
No fim das contas, de algum jeito tínhamos que “pisar” no sertão-território. Nosso coração, feito bússola teimosa, aponta para o Noroeste Mineiro, a tríplice fronteira do Baiangoneiro. O Prêmio Estímulo contemplou gente de diferentes comunidades rurais, que nos presentearam com um olhar tão sensível e bonito, como o de Diadorim. Sabe quando uma coisa sai melhor do que a encomenda? Pois esse é o caso da Sessão Prêmio Estímulo – Com o Pé no Urucuia. Confira!
Os curtas selecionados ficam disponíveis no site da Mostra, abertos e gratuitamente, durante os cinco dias da Mostra Competitiva Regional e os cinco dias da Mostra Sertãozin. Além de vocês que nos assistem, um júri composto por seis membros seleciona o melhor filme da Mostra Competitiva Regional e também as menções honrosas, prêmios divulgados na última noite do evento.
O formato on-line inicialmente nos deixou receosos, mas agora vemos o IV CineBaru, neste 2020, se espalhar como água de vereda; pensa o tanto que ficou bonito! Participe, vem com a gente, divulgue, assista, comente, partilhe, interaja nas nossas redes e vibre! Afinal, como dizia Rosa, “qualquer bocadinho de amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”.
Equipe CineBaru
Coletivo Ecos do Caminho
Manifesto CineBaru 2020 – Carta para a edição #04
Os tempos são desafiadores para quem projeta a democratização da produção e do acesso à arte e à cultura. Não bastasse uma pandemia que nos limita nos encontros e exige nossa atenção a uma questão urgente no campo da saúde, vivemos sob um governo que não só despreza, mas também é um adversário dos avanços alcançados nos últimos anos: a consolidação de uma indústria audiovisual, o aumento dos cursos nas universidades públicas, o debate amplo sobre o fomento e a capacidade de realização no cinema brasileiro.
O mesmo cinema brasileiro que se destaca por sua riqueza de temas e formas é aquele que precisa lutar pela preservação do acervo da Cinemateca, negligenciado pela gestão pública. As mais de 300 mil pessoas que trabalham na cadeia do audiovisual, para além do impasse econômico por conta do novo coronavírus, ainda precisam reforçar, dia após dia, a importância de seus trabalhos.
O CineBaru surge em 2017. De lá para cá, grandes festivais e também salas de exibição tiveram seus apoios públicos cortados, suas edições sob risco, enquanto Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual ou Agência Nacional de Cinema definhavam. É inevitável que nossa motivação seja a resistência. Uma mostra de cinema contra a ignorância institucionalizada e o obscurantismo propagado no país. Contra um projeto de Brasil que rejeita a diversidade de sua própria cultura.
Estamos voltados para tudo isso nos últimos meses. Em maio, compartilhamos um pensamento, entendendo a nossa edição #04. E agora, em junho, confirmamos aqui a quarta edição do CineBaru – Mostra Sagarana de Cinema para setembro de 2020, entendendo o que o tempo presente nos invoca a seguir construindo, com a Mostra Competitiva Regional e a Mostra Sertãozin voltadas para curta-metragens do nosso território: Bahia, Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais.
ONLINE | O CineBaru, realizado anualmente na vila de Sagarana, município de Arinos, exige grandes deslocamentos. Nossa equipe, as realizadoras e realizadores selecionados e também o público – dos circuitos culturais e das universidades – pegam a estrada de terra que desemboca no campinho de futebol virando cinema. Por conta da pandemia e dos cuidados necessários, seria irresponsável promovermos esse encontro e essas viagens sem termos a garantia de fazê-lo de forma segura, principalmente colocando em risco a saúde das moradoras e moradores da vila, que acolhem a mostra e os visitantes tão bem. A solução é realizar uma mostra online, gratuita e aberta no nosso próprio site, estimulando a interação do público e o debate com as realizações.
OLHANDO PARA DENTRO | É tempo de ajeitar a casa. Por isso estamos dedicando um recurso captado em outras edições para desenvolver um novo site para apresentar os filmes. Reorganizar nossos trabalhos internos, reafinar nossos desejos e lugares no mundo em ser uma mostra regional de cinema em 2020. Repensar, enquanto curadoria, o que criar e o que exibir. Olhar para as desigualdades enraizadas no nosso país e priorizar os filmes realizados e/ou protagonizados por mulheres, negras, negros, LGBTQIA+ e indígenas.
OLHANDO PARA O TERRITÓRIO | Estamos mantendo bolsas para uma oficina de produção de podcasts com jovens da região no noroeste mineiro. Também lançaremos um prêmio de estímulo para a realização de filmes por moradores de Sagarana e entorno, a serem exibidos numa programação especial. Acreditamos que o melhor jeito do CineBaru existir no território, hoje, é fomentando essas ações, fazendo coro a essas histórias.
DISTRIBUINDO O CINEMA BAIANGONEIRO | O CineBaru, a partir de Sagarana, forja um território delimitado pelos estados de Minas Gerais, Goiás e Bahia, incluindo o Distrito Federal, mas não baseado exatamente nos limites políticos. De carona com as tantas ações já desenvolvidas na região – turísticas, culturais, de festa, de militância sócio-política -, acreditamos nessa regionalidade afetiva, não enquanto limitação, mas sim enquanto reconhecimento local. Um polo de encontro desses filmes que se juntam no sertão dos Gerais, mirando um cinema popular e gratuito que não reproduza as assimetrias estruturais de gênero e raça do cinema brasileiro, além de ser voltado para os povos do cerrado, numa mostra cuja curadoria e território dialogam por uma descentralização e democratização do fazer e do assistir cinema.
RECURSOS | Lançaremos uma captação de recursos, tipo financiamento coletivo, para alcançarmos o mínimo necessário para essas ações no território e desenvolvimento do site para uma melhor capacidade da mostra online. Seguiremos fortalecendo outras ações emergenciais e fundamentais como o Nutre Sertão Veredas, puxado pelo Instituto Rosa e Sertão, que está distribuindo alimento e mantimentos pela região.
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É claro que a impossibilidade de nos encontrarmos em Sagarana, onde nossos desejos, nossa militância e nossa cultura se fortalecem, fará falta. Essa mostra de cinema foi pensada para acontecer na vila, onde oficinas, conversas e filmes convivem naquele território, junto dos moradores e da movimentação cultural, social e política ali construída. Mas temos a certeza que esse vínculo à distância, provisório e necessário, irá nos trazer novos olhares e abraços, nos fazer experimentar interações outras, também intensas e marcantes, que seguirão sustentando essa travessia.
Contamos com a companhia de toda essa rede – produção do CineBaru, realizadoras e realizadores baiangoneiros, público, moradores de Sagarana e região, coletivos, associações e agitações culturais Brasil afora – para construirmos essa nossa quarta edição com a força e o carinho de sempre.
Equipe CineBaru
Coletivo Ecos do Caminho
*Um abraço especial às parcerias e à rede de colaboração em Sagarana – apesar de não estarmos juntos fisicamente esse ano, continuamos semeando cinema no sertão:
Estabelecimentos comerciais (Maria da Ponte – Pont’s Bar, Raquel Teixeira – Bar Olhos de Gata Louca, Domingas e Expedito – Aconchego Bar, Eugênio – Drink’s Bar, Waguin e Driele – Mercado Bom Preço, Mercado Carioca, Edimar – Açougue, Branco – Bar Cachoeira da Ilha, Neide – Mercearia Sagarana, Lia e José Paulo – Armazém do Zé Paulo, Cristian e Rosana – Armazém Crisana, Salvador – Mercado Damas);
Catadores e quebradores de baru (Sr. Agemiro, Sr. Cassu e D. Antônia, Marta e Dudu, D. Zélia, Diogo e Mateus, D. Lena e Sr. Dercílio, Davi, Mércia, Marta e Zé Geraldo, Osni e Valdeci, Guilherme e Dalva, D. Conceição e Marcelo, D. Ercilia e Dr. Milton);
Fiandeiras (Rosa, Judite, Maria, Rita Pimenta, Aparecida Pimenta, Isidora, Paulina, Sulida, Gerci, Jô, Arcanja, D. Dorica, Petronilia, Nair Pereira da Silva, D. Marieta, Marta, Maria, Maria Braga, Maria Barbosa, Lena, (Inhana) Adelsânia Maria Alves da Silva Vidal, D. Raimunda (in memoriam), Evangelina Luiz da Fonseca Silva, Conceição Lourença Leite (in memoriam), Cirila Nogueira do Amaral, Celenita Luiz Pereira);
Restaurante comunitário (D. Lena, Eva e D. Raimunda);
Casas de apoio (Andréa Alves, Casecos, Pont’s Bar, Roberto – armazenamento de mobiliário);
Pessoal de apoio (Silvio – eletricista Sagarana, Adilson – eletricista prefeitura de Arinos, Carlitinho – transporte trator, Miriam – ex-diretora da E. E. Saint Clair Fernandes Valadares, André Marcos dos Santos – Cresertão, Tatiane Lima de Jesus – IEF); Valdiney Carvalho – Criação e confecção de troféus;
Hortas e quintais (D. Celenita, D. Marta, D. Conceição (in memoriam) e Sr. João);
Instituições (Cresertão – Centro de Referência em Tecnologias Sociais do Sertão, Creche SEMEI Criança Feliz, Comunidade Nossa Senhora Aparecida (Salão Paroquial), E. E. Major Saint Clair Fernandes Valadares, E.M.Vasco Bernardes de Oliveira, IEF – Instituto Estadual de Florestas, Prefeitura Comunitária de Sagarana);
Hospedagem comunitária (Casa de Sr. Agemiro e D. Petronilia, Casa da Andréa, Casa da Gasparina, Casa do Sr. Gessy, Casa da Helena e Sr. Zezinho, Casa da Lena e Dercílio, Casa da Luciana e Juvenil, Casa da Maria Cardoso e Silvio, Casa da Maria da Ponte, Casa da Mércia, Casa da Mirian, Casa da Rosalina Pereira (D. Rosa), Casa da Zélia);
Camping (Cresertão – Centro de Referência em Tecnologias Sociais do Sertão).
Historiadora e produtora cultural, pesquisadora da memória, das culturas populares, da história da alimentação e da cultura material.
Produtora cultural e relações públicas. Poeta, tradutora, fotógrafa, viageira, sambista, brincante, angoleira.
Sagaranense, artista e arte educador em formação. Poeta, pesquisador, andante e dançarino.
Artista da dança, mãe, doutoranda em Artes da Cena pela Unicamp e militante pelo cerrado e os saberes das mulheres.
Jornalista e documentarista nascido em São Bernardo do Campo-SP, pesquisador do futebol e do cinema brasileiros.
Cerratense, Goiano, bacharel em ciências biológicas, mestre, doutor e pós-doutor na área ambiental, tem interesse em educação e conservação da natureza.
Nasci mineira, me chamaram Simone, cresci fazedora da cultura.
Empreendedora e gestora social e cultural. Gestora e condutora de Turismo. Ambientalista e agroecologista. Atua como prestadora de serviços e agente em Desenvolvimento Regional Sustentável.
Documentarista e psicólogo transcultural, buscador de tecnologias ancestrais e contemporâneas de comunicação e presença.
Sagaranense, membro da Associação das Artesãs e Tecelagem das Veredas, foi agente local na sede da Associação e agente de leitura pela Vale do Urucuia. Atualmente é secretário da prefeitura comunitária do Distrito de Sagarana.
Professora, documentarista e pesquisadora. Pós doutora em Comunicação e doutora em Educação pela Universidade de Brasília (UnB).
Montadora e roteirista. Formada em Comunicação Social – Audiovisual, pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História Cultural pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
Graduanda em Cinema na Universidade Federal de Pernambuco, em 2018 foi assistente de curadoria no Festival Internacional de Realizadoras (FINCAR), e curadora da II Mostra Itinerante de Cinemas Negros Mahomede Bamba em 2019. Faz parte da equipe curatorial do Cachoeira Doc e também íntegra a curadoria do projeto Beiras D'água.