CINEBARU
CineBaru - Mostra Sagarana de Cinema 23-26 Setembro 2026

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2026: apresentação

 

Uma décima edição de CineBaru – Mostra Sagarana de Cinema nos impõe um duplo: tudo ainda é começo, mas, convenhamos, dez parece bem mais que nove. Vai ver assim é a infância, lembremos, coisa de continuar sonhando, na ingenuidade de quem anda miúdo, de preferência em roda, sem pressa. Ao mesmo tempo, precisamos assumir que o inevitável passar do tempo, entre dores e delícias, nos enche de responsabilidade, acúmulo, às vezes cansaço, necessidade de um empurrão. É misturar o arrepio do primeiro com a madureza do… Décimo! Felizes por continuar se mexendo, acima de tudo. Seguir o rastro, estar junto de quem balança, caminha, dança. Risco no chão, traço borrado, correndo. Um passo e o mundo sai do lugar.

 

João Guimarães Rosa acordou numa madrugada em seu apartamento na cidade e assustou a esposa, Aracy: achei o nome, achei o nome! A coletânea até aquela noite se chamava apenas Contos, vinha sendo recusada por grandes editoras. Mas então um novo selo se encantou logo nas primeiras linhas e decidiu que aquela seria sua publicação de estreia. Sagarana. Faz 80 anos, certinho, isso é correndo o ano de 1946, e o lançamento também meio que por agora, no outono, já tempo da seca. E o escritor então debutou na prosa logo inventando — juntou saga, um prefixo alemão que significa algo como uma epopeia, uma trajetória épica; com rana, um que se parece, no original tupi falado na Amazônia. Pronto. Rosa tinha um nome de livro. Sagarana. Tipo uma saga. Semelhante a uma lenda

 

Olha só essa: acontecia o processo de colonização agrícola de efeito social promovido pelo Incra, na década de 1970, quando o segundo projeto de assentamento rural de reforma agrária de Minas Gerais foi riscado no Cerrado, noroeste do estado, sertão cortado por veredas. Hora do batismo. Achei o nome, achei o nome! Sagarana. Tudo é começo. Os primeiros contos, o primeiro título rosiano a  se firmar como alcunha de terra. Rana + saga. Parece um conto? A literatura nos mantém em fluxo. 

 

Mas nossa odisseia favorita é a do cinema. Ele embola tudo e devolve numa tela enorme e em caixas de som bem altas, e melhor, a gente precisa se juntar para assistir e ouvir melhor. Cinema vem de cinematógrafo, e quem inventou foi um francês: o final, graphein, significa escrever, desenhar; o começo, kinema, adivinhe só: movimento. Gravar coisas se mexendo, oras. Registro do que circula, desloca. Só podia ser.

 

Melhor ainda quando a gente se dá conta de que baru, a castanha potente que dá de monte aqui na vila, tem origem no termo indígena referente a alimento que alegra. Pronto. Na décima edição do festival, rodando e seguindo em frente, o grande barato é juntar nosso próprio nome. Estava ali o tempo todo, no letreiro de bambu que se vê desde a esquina: Cine + Baru. Movimento e comida que nos deixam felizes. Não poderia haver definição melhor para uma edição que se celebra em dez, num indo e voltando, rodopio em ventania difusa, redemunho. 

 

Porque andando com cinema é que se faz política também — não é de hoje, mas o noticiário recente que o diga. Território de disputa na imaginação e no encantamento, assim como em seus bastidores, no jogo por onde os acordos escorrem aos montes. De nossa parte, claro, acreditar que a cultura seja a flecha de um país diverso, surpreendente, com robustez o bastante para manter a força de espalhar suas histórias e dar conta da vida, não importam as intempéries. Viver num lugar em que a arte seja tocada com prioridade, atenção e criatividade, sabendo que as coisas demandam luta, esforço, e nunca estão definitivamente dadas. No fim do conto, o burrinho pedrês, que ninguém botava fé, deu conta da travessia.

O encontro do cinema com o quintal baruzeiro. Décimo CineBaru. Lembra uma fábula, aquela da castanha do Cerrado que faz a câmera nos encontrar dançando, em festa.

10ª EDIÇÃO | 23 a 26 de setembro de 2026

Data de inscrição:
28 de maio a 30 de junho de 2026

Inscrição

Curtas (< 30′) | Bahia, Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais
Produções de 2026, 2025 ou 2024
Resultado previsto da seleção: 6 de agosto de 2026

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Seta

Curadoria Mostra Competitiva Regional Baiangoneira + Mostra Sertão

Paulo Junior

Jornalista e documentarista nascido em São Bernardo do Campo-SP interessado em escrita, pesquisa, roteiro, desenvolvimento, produção, direção e outras conversas em comunicação, redação, podcast, literatura, audiovisual e cinema.

Curadoria Mostra Sertãozin

Andréa Alves

Gestora, educadora, articuladora e produtora de arte, cultura, meio ambiente, empreendedorismo e economia criativa. Educadora Física, Técnica em Serviços Públicos, Meio Ambiente, Planos Municipais de Cultura e Gestão no 3º Setor. Compõe o coletivo do CineBaru, desde a primeira Edição, na produção, logística e curadoria.

Camilla Alves

Historiadora cerratense, criadora audiovisual e agrofloresteira, inspirada em bichos, plantas e gente.

João Carlos Freitas

Cerratense, poeta, sertanejo, arte-educador, produtor cultural e bailarino, graduado em dança.

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